Family Photo

A nossa matéria-prima não é a imagem…

Olá Amigos,

A partir de hoje vou iniciar um novo espaço aqui no blog sobre algo que sempre gostei de fazer: escrever!

Os posts com os textos serão inseridos aqui no “Me deu um click…” – na verdade quase o chamei de #prontofalei, mas desejo escrever coisas diversas além de expor os meus pensamentos e questionamentos, sob risco de perder alguns assinantes do blog… mas acredito que isso faz parte.

Eu li hoje de manhã que uma nova modalidade de crime está atormentando os nossos colegas repórteres e fotógrafos na cidade de Oakland, CA – U.S.A.: Ladrões estão roubando os equipamentos dos profissionais de cine-foto reportagem durante o dia! Houve, dentre alguns desses casos, um relato de agressão física, um empurrão sem maiores consequências… por enquanto…

Isso me fez pensar imediatamente em valores de equipamento, investimento, seguros de equipamento e de vida, o quão suado é conseguir comprar as nossas ferramentas de trabalho e, por algum tempo, fiquei perplexo imaginando o que aconteceria se roubassem o meu equipamento. Certamente seria devastador…

Daí que uma coisa leva a outra e pensei que pior do que isso seria se eu ou algum colega de profissão tivesse a sua integridade física comprometida, inviabilizando o exercício do nosso trabalho. Mas, em pouco tempo, mudei novamente o meu pensamento e concluí que pior do que perder equipamentos ou ser incapacitado de enxergar ou portar e manusear nossas câmeras e tudo o mais, seria perder aquilo que, de fato, é a força motriz do nosso trabalho: a sensibilidade.

 Quando se perde a sensibilidade, conta-se ‘apenas’ com a técnica, sorte, acaso, repetições mecânicas de um ato de fotografar ou filmar e, ao final de tudo e no âmago dos pensamentos e das motivações, existe a ganância e o ego.

Já vimos isso acontecer em todos os lugares, em todos os segmentos e em todas as profissões. Já vimos médicos que perdem a sensibilidade e se tornam “celebridades” e passam mais tempo frequentando as rodas sociais e menos tempo atendendo seus pacientes, arquitetos que buscam fama e projetam espaços inabitáveis mas que geram prêmios de design e que resultam apenas em belas fotos nas revistas, jogador de futebol que gasta mais tempo preocupado em saber se a câmera está nele e menos tempo jogando para o time, advogados que defendem um criminoso cuja pena é inafiançável e cujos crimes hediondos enojam a todos, aceitando a causa por uma soma de dinheiro absurdamente alta, dinheiro esse muitas vezes proveniente do crime organizado, e por aí vai, os exemplos são diversos.

 Todavia, quando isso acontece com fotógrafos, cinegrafistas, músicos e artistas em geral, o estrago gera repercussões mais longas, muitas vezes de maneiras devastadoras, como um câncer na vida e cultura de um povo.

O fotógrafo que perde a sensibilidade perde a noção daquilo que convém não se fotografar, ou perde o timing daquilo que se deve fotografar. Quando se fotografa algo que é indevido, inapropriado, constrangedor para um cliente ou qualquer pessoa a fim de utilizar as imagens com fins lucrativos e/ou “jocosos” à custa da quebra da intimidade e privacidade desse alguém ou sem se importar com as consequências da divulgação de certas imagens, pode-se contaminar toda uma família, uma cidade, um pais, o mundo. A falta de sensibilidade aqui seria representada pela falta de ética e escrúpulos por parte do fotógrafo.

Igualmente pela falta de sensibilidade, alguns deixam de registrar cenas singelas e simples de gente comum, porque “seria muito cliché fotografar isso” e pessoas são privadas de se deliciarem posteriormente com cenas que lhes trariam tantas boas recordações…  o que os outros fotógrafos vão comentar em suas criticas ou blogs ou matérias é problema deles! Façamos as fotos que nos comovam e aos nossos clientes, familiares e amigos, e esquece o resto. Se pudermos fazer a foto com técnica e tratamentos igualmente caprichados, melhor ainda. Mas que não se percam olhares, sorrisos, choros e abraços motivados pela busca da “foto perfeita e sofisticada, cheia de arte”. Para isso existem os estudos e o treino constante. Técnica é algo que deve nos servir, e não o contrário, e para isso devemos estudar e treinar bastante para torná-la natural. Mas a técnica não é um fim em si mesma. Nunca.

Fotografia feita sem emoção é apenas técnica que, ainda assim, pode emocionar. Mas quando o coração comanda a técnica, temos grandes chances de obter uma fotografia que carrega a emoção, sempre.

Quando um cineasta, a mando de um roteiro esdrúxulo ou de uma obstinada idéia ruim, faz seu protagonista se expor seja ao ridículo, seja à indecência ou qualquer outra situação vergonhosa, “em nome da arte”, colabora para que as platéias passem a considerar a exposição a tais cenas algo comum, pois outros roteiros mais “ousados” e cenas mais explícitas certamente virão e, em seguida, aquilo que antes chocava hoje não choca mais, aquilo que antes comovia hoje já não nos comove mais. E, na televisão, as imagens de hoje seriam consideradas o apocalipse e o fim do mundo de algum tempo atrás (…ora, isso é bem verdade, mas vocês entenderam o que eu quero dizer, certo?).

Quando um músico perde a sensibilidade e, em nome do “mercado” faz lixos travestidos de “cultura popular” com seus hits dançantes, letras pobres e cheias de malícia, não se importa que crianças passem a imitar gestos de conotação sexual de suas danças e cantem coisas inapropriadas – para a idade delas e para qualquer outra idade…

Depois, muitos pais se perguntam o por quê de filhos serem maliciosos, insensíveis, desobedientes, sem respeito por qualquer forma de autoridade, sem respeito pela vida, e cometem crimes, engravidam-se pouco depois dos 10 anos de idade, não se casam mas se ‘ajuntam’ e se separam deixando um rastro de “cacos de vida” pelo caminho, e parecem achar tudo isso normal.

Amigos, assim como tantos outros companheiros de profissão, eu decidi que fotografar pessoas é aquilo que sei fazer de melhor e é o que me enche de satisfação.

Todavia, peço a Deus que Ele tenha misericórdia de nossas famílias, de nossas crianças e jovens, para que no futuro ainda possamos nos identificar assim, como nós gostamos:

_”Sou fotógrafo de casamento e de Família”.

Mas não gostaria de fotografar o casamento de uma mesma pessoa mais de uma vez.

Vamos preservar nossas respectivas famílias, nossas amizades sinceras, os bons valores. Porque quem planta, colhe.

Um grande abraço pra você!

Marcos Tachikawa

(Uma foto antiga das férias com a minha família, cliché e comum pra caramba segundo alguns, mas inundada de significado pra mim e para as minhas meninas. Damos risadas sempre que a vimos, lembrando das besteiras que falávamos, da bagunça e de como isso tudo foi muito gostoso!)


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Baguncinha dos Tachikawa © Marcos Tachikawa